sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Esperança

Hoje chamei meu amor platônico para sair. Ela aceitou. Ela disse que depois dos compromissos de final de ano, podemos marcar. A resposta talvez seja um pouco fria e protocolar, mas ela disse ''...podemos marcar'', então não é um ''não''. Depois de uma semana com uma grande decepção, na qual eu soube que a minha amiga mais antiga, com quem eu teria mais chances de ficar, está ficando com outra pessoa, a notícia de hoje é um alento ao coração.
Apaixonei-me pelo meu amor platônico em uma festa da faculdade, acho que em 2011 ou 2012. Na época, ela tinha namorado. Algum tempo depois, ela se separou e está solteira até hoje, que eu saiba.
Quem sabe esse não é meu momento? Tomara que seja ela. Tomara que, para ela, seja eu. Ela seria a namorada mais perfeita do mundo.
Vamos ver o que acontece.
Até a próxima, internet.

Desejo

Eu quero morrer. É tudo o que eu quero agora. Dói muito. Só quero que esta dor acabe. Quero que tudo acabe. Um fim para tudo seria mais fácil e menos doloroso.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Monólogo 1

Terça-feira, 20 de dezembro de 2016.

Eu não tenho com quem falar sobre estas coisas, sobre problemas, então resolvi escrever.
Nunca tive um diário nem nada assim, não sei muito bem como funciona. Só vou escrever algumas coisas que estou sentindo. Talvez ajude, talvez não ajude.
Tenho quase 31 anos, não me formei na faculdade, não tenho emprego, perdi a pessoa mais importante da minha vida, não tenho dinheiro, não tenho namorada, não tenho perspectiva de vida. Essa é a minha vida.
Não sei o que fazer, pois não sei fazer muita coisa.
Comecei o ano com alguma esperança de dias melhores e terminarei sem nada. 2016 poderia ter sido o melhor ano da minha vida. Foi o pior.
Sinto falta da minha avó. Sei que ela viveu bastante e talvez tenha tido uma vida com mais felicidades do que tristezas. Sei que ela estava sofrendo por causa da doença. Sei que ficar anos em cima de uma cama deve ser algo terrível. Mas sinto falta dela todos os dias. Não consigo dividir isso com ninguém, por isso estou escrevendo.
Outra coisa que me dói muito, há anos, é o fato de não ter namorada. Sinto-me sozinho e o fato de não ter alguém com quem dividir meus problemas e minhas felicidades é um ponto preponderante para que eu repense se vale a pena continuar. Talvez eu não tenha nascido para ser feliz ao lado de alguém, mas ainda não aprendi a ser feliz sozinho. Isso é uma das coisas que mais me machuca. É muito mais do que sexo. É ter alguém com quem conversar, com quem ir ao cinema, com quem viajar no fim de semana. Todas essas coisas com as quais eu sempre sonhei e nunca tive.
Eu sou um fracasso acadêmico, um fracasso profissional e um fracasso a nível de relacionamentos pessoais. Cada vez que me decepciono, eu morro um pouco mais por dentro, e até agora, só tive decepções.
Se existir alguma força espiritual superior à humanidade, esta força nunca ouviu meus pedidos enquanto eu fazia parte de uma igreja e nunca ouviu meu sofrimento depois que saí. Até por isso, estou cada vez mais convencido de que não existe nada em um hipotético plano espiritual no universo. Se algum tipo de deus existir, tenho convicção de que ele não se importa comigo, com meus problemas ou com meus pedidos, o que o torna inexistente do mesmo jeito.
Eu sempre sonhei em ter minha vida encaminhada quando tivesse vinte e muitos anos. Tenho trinta anos e faz muito tempo que não consigo dar um passo para frente.
Este ano eu tive esperança de que finalmente eu pudesse ter alguma felicidade no campo amoroso. Termino 2016 com duas grandes decepções nesta área. Aliás, com uma decepção e com uma grande decepção. Penso nisso todos os dias. É uma tortura. Sinto vontade de chorar por isso todos os dias. Por que todas as pessoas têm uma felicidade que parece tão grande e tão comum, e eu nunca tive tal felicidade? Esta é uma dor que carrego comigo desde a adolescência, desde meus 15 ou 16 anos. É metade da minha vida. A mesma decepção, a mesma dor, repetidas vezes, durante metade da minha vida. Não aguento mais. Ontem senti esta dor novamente, por uma pessoa pela qual eu tive a esperança de, finalmente, encontrar felicidade onde sempre encontrei decepção. Encontrei, novamente, decepção. Com uma pessoa que conheço desde criança, com a qual não falava no colégio e com quem voltei a falar há alguns anos.
Pensei que o destino ou o universo, finalmente, poderia estar ao meu lado. Afinal, por que razão eu voltaria a falar com uma mulher que conheci criança, com a qual estudei junto durante todo o colégio, que nunca foi muito minha amiga em sete anos na escola e que agora, meio que do nada, se tornou uma ótima amiga, que me incluiu em saídas de grupos de amigos, que me convida para a casa dela de vez em quando, que me apresentou toda a sua família? O que poderia dar errado agora? Tinha que ser ela. Aparentemente, não é ela. A dor está muito grande. Sinto vontade de desistir de tudo.

Voltarei a escrever depois.